Como está na moda mentir para o eleitor, enganar o contribuinte com falsas promessas em relação a obras faraônicas, gostaria de "parabenizar" aqui o quase prefeito Alfredinho Magalhães, que não foge à regra quando o assunto é estar no poder a qualquer custo. Onde estão estas obras prefeito? Vejo que só foram propagandas. Mas não é de se estranhar, você sempre foi um prefeito de propagandas, slogans e dissimulações. O que a população precisa não tem, mas em compensação tem muito evento "pra inglês ver".
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão" (Paulo Freire)
sábado, 16 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
A sociedade da subserviência: uma reflexão sobre a nossa condição de dependência social
"A sociedade cujo centro de decisão não se encontra em seu ser, mas no ser de outra, se comporta em relação a esta como um 'ser para outro'". (FREIRE, 2014, p. 73 - Educação e Mudança)
Passei a infância, a adolescência e parte de minha juventude ouvindo de meus conterrâneos, amigos e familiares, que Sítio do Mato sempre foi dependente de Bom Jesus da Lapa, mesmo depois de tornar-se município. A verdade é que nossa emancipação política se deu somente no papel, uma realização legal, mas longe de trazer a autonomia e os serviços básicos de um município independente à sua população. Nossa "cidade" nunca existiu para si mesma, pois sempre esteve a serviço de outros interesses, contrários, é claro, aos do seu próprio povo. A população depende de outras cidades, em todos os serviços possíveis: de saúde à educação. Depende também da "generosidade" de sua classe política, que desde a gênese municipal agrada-se de ter os desvalidos sob seus pés, numa espiral de favores que nunca serão pagos. O "centro das decisões" está em posse de uma minoria corrupta e cruel, representada por dois polos de poder, que há pouco mais de duas décadas revezam no governo do município. De um lado, a face paternalista e incompetente, e do outro, o lado truculento e que aprendeu a usar a "máquina" para lucrar "legalmente". É claro que estou falando de Dionízio (e seus agregados) e de Alfredinho. Ambos os lados representam a política antiga, o perfil do coronel, do senhor de escravos, que estende uma das mãos em sinal de "generosidade", enquanto a outra está pronta para usar o seu chicote por qualquer motivo que lhe desagrade. Sítio do Mato não pode mais existir sob a insígnia da subserviência, da dependência e da exploração de seus recursos, econômicos, humanos e naturais. A decisão dos rumos administrativos do município está nas mãos do povo (eu e você), não somente em relação ao voto, mas, também, na participação coletiva, na marcação de nossa posição enquanto sujeitos da transformação social. Chega de balançar a cabeça em sinal de concordância enquanto os que se dizem "donos do mundo" estão a falar suas mentiras. É hora de rebelar-se, de dizer o que pensamos, de demonstrar amor por nossa terra com o voto consciente e com a fiscalização dos atos de nossos representantes políticos. É chegado o momento de sermos e existirmos para nós mesmos, enquanto povo sitiomatense, recusando a terceirização de nossa capacidade de sonhar e de mudar o mundo, o nosso mundo!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
O esforço da mídia e do governo do Distrito Federal em denegrir a luta dos professores
Acho "admirável" o esforço do governo do DF e da mídia televisiva em jogar a população contra os professores por causa da paralisação de hoje e dos próximos dias. Se os alunos têm o direito de estudar, nós, professores, temos o direito de receber nossos vencimentos pelo trabalho prestado e o GDF tem a obrigação de liquidar todas as dívidas, deixando com isso o discurso da "falta de dinheiro" de lado. É incrível tamanho desrespeito com os professores! Nenhuma outra categoria do funcionalismo público passa pelas humilhações que passamos para receber aquilo que nos é de direito: o valor das férias, o 13º de alguns e a recisão dos professores temporários. Além disso, corre a conversa de que há um movimento pela anulação dos aumentos de nosso plano de carreira. Violência seguida de violência! E o mais engraçado é que não há, na mídia e nos altos escalões da justiça deste país, alguém que levante a voz em favor dos professores. O que nos resta é ver e ouvir as loucuras de Alexandre Garcia, comentarista da rede Globo Brasília, que jura saber algo sobre a conjuntura educacional do nosso país.
#indignado
#professoresmerecemrespeito
#calaabocaalexandregarcia
#paguemnossosdireitos
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Algumas linhas sobre as causas do subdesenvolvimento do Brasil e a necessidade de nos rebelarmos enquanto povo brasileiro
Colocam a culpa do subdesenvolvimento do Brasil no tipo de colonização que tivemos, na nossa juventude enquanto nação e até em nossa formação mestiça e multiétnica...
Conversa fiada!
A responsabilidade de nossas mazelas deve recair sobre os ombros da classe dominante que sempre nos governou ao longo da história, do Estado português, passando pelos senhores de vastas extensões de terras (os mesmos que caçaram os índios, escravizaram os negros e contam com a simpatia dos governantes nos dias de hoje), até chegar na classe política da atualidade. Essas figuras, travestidas de potestades, vem tomando o destino do povo brasileiro em suas mãos ao longo dos séculos para fazer de nós o que somos hoje: um povo que não existe para si mesmo.
A verdade é que fomos e somos um proletariado externo, dominado pelos interesses do mercado internacional desde os tempos imemoriais de nossa gênese nativa. A classe que nos governa é apenas a mão fustigadora do patronato opressor neoliberal.
Até quando deixaremos essa trupe decidir sobre as nossas vidas? Até quando vamos delegar à classe política corrupta desse país o poder de deliberar sobre o destino nacional? Quando nos rebelaremos enquanto povo brasileiro? Onde estão os Zumbis, os Tiradentes, os Lampiões, os Chicos Mendes dessa terra?
...
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Recortes (Pertencimento)
Existe um lugarejo acolá
Lá longe, bem lá
Onde um rio de alegria
Passa em seu quintal
Onde posso ser
O que sempre quis ser
Onde a juventude eterna
É sempre bela.
Existe um pedacinho de terra
Na direção celestial
Onde seus limites e fronteiras
São demarcados com liberdade verdadeira
E é lá, bem lá
Onde meus sonhos ganham forma
E o meu amor razões para existir.
Debaixo de seus céus sempre azuis
Edifiquei minha morada
Para nunca mais deixá-la só
E para protegê-la
Das incursões daqueles que não a amam
Daqueles que a querem maltratar.
Por isso, reafirmo:
Nunca a deixarei só
Minha terra, meu lugar
Abençoado lar!
Pois nos ciclos de minha vida
É sempre a ela que retorno.
A ela pertenço
Misturado às suas matas e rios
Templo de acolhimento
Onde sorrisos e amigos
São mais significativos
Do que todas as riquezas
Que o mundo pode dar...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
A farra das secretarias municipais de governo de Sítio do Mato
Há algumas semanas falei sobre as secretarias de governo do município e lancei algumas perguntas, entre elas, a já conhecida "quem são os nossos secretários?". Pois bem, segue abaixo os nomes daqueles que, teoricamente, deveriam trabalhar pelo município, ajudando a administração do prefeito a executar seus programas e projetos. Doce ilusão...
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE ESPORTE E CULTURA - ARMÊNIO FERREIRA DOS SANTOS (MENDES, DA CONSTRUNÉIA).
SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO - CRISTINA MIRELE DE JESUS MAGALHÃES (ESPOSA DO PREFEITO)
SECRETÁRIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - DAYANA ALVES VAREJÃO DE OLIVEIRA (ESPOSA DO VEREADOR CACAU)
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE ASSUNTOS INSTITUCIONAIS - HILDEBRANDO CELESTINO DE ARAÚJO (EX-VEREADOR / GAMELEIRA)
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE INFRA-ESTRUTURA - JOSÉ CARLOS MATOS SAMPAIO
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE - JOSUALDO NEVES DA SILVA (ZÚ)
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE AGRICULTURA - MANOEL ANTÔNIO DA SILVA (PAI DO VICE-PREFEITO)
SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO - MARCOS DE SOUZA MAGALHÃES
SECRETÁRIO DE FINANÇAS - JOSÉ BRANDÃO LEÃO
Fonte das informações: Portal da Cidadania. Acessado em 18/01/2015.
Perguntas: Você conhece a todos? Sabe onde funcionam essas secretarias? Esses secretários trabalham efetivamente?
Uma coisa é certa, muitos dos secretários da lista são apenas "laranjas", pois outros respondem em seu lugar. Muitos não trabalham e recebem seu salário normalmente. Todos sabem quem responde pela Secretaria de Saúde, por exemplo. E isso serve para a maioria dos secretários.
E a "farra das secretarias" me mostra uma realidade: Essas secretarias servem como moeda de troca. Elas são dadas a quem apoia o prefeito ou a quem se submete aos seus desmandos ao longo de seu governo.
Não sabia que era legal mulher de vereador e pai de vice-prefeito assumirem funções desse tipo. E vejo também pelo sobrenome que o prefeito Alfredo Magalhães indicou alguns de seus parentes (fora os outros parentes que não tem Magalhães no nome). Se isso não for nepotismo, o que é então?
Já não bastasse o domínio que o prefeito exerce sobre a Câmara de Vereadores, ainda por cima possui o controle absoluto das secretarias, inclusive de suas prioridades de execução e de seus repasses financeiros. Preocupante, no mínimo.
Sítio do Mato está precisando de moralidade em sua gestão. Não podemos mais aceitar passivamente os desmandos desse prefeito e de sua corja política. Enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades para ganhar o pão de cada dia, uma elite sem vergonha está a enriquecer ilicitamente por meio do dinheiro público. Um tapa na cara da sociedade sitiomatense.
Prefeito e Secretários fantasmas, respeitem o povo!
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE ESPORTE E CULTURA - ARMÊNIO FERREIRA DOS SANTOS (MENDES, DA CONSTRUNÉIA).
SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO - CRISTINA MIRELE DE JESUS MAGALHÃES (ESPOSA DO PREFEITO)
SECRETÁRIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - DAYANA ALVES VAREJÃO DE OLIVEIRA (ESPOSA DO VEREADOR CACAU)
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE ASSUNTOS INSTITUCIONAIS - HILDEBRANDO CELESTINO DE ARAÚJO (EX-VEREADOR / GAMELEIRA)
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE INFRA-ESTRUTURA - JOSÉ CARLOS MATOS SAMPAIO
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE - JOSUALDO NEVES DA SILVA (ZÚ)
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE AGRICULTURA - MANOEL ANTÔNIO DA SILVA (PAI DO VICE-PREFEITO)
SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO - MARCOS DE SOUZA MAGALHÃES
SECRETÁRIO DE FINANÇAS - JOSÉ BRANDÃO LEÃO
Fonte das informações: Portal da Cidadania. Acessado em 18/01/2015.
Perguntas: Você conhece a todos? Sabe onde funcionam essas secretarias? Esses secretários trabalham efetivamente?
Uma coisa é certa, muitos dos secretários da lista são apenas "laranjas", pois outros respondem em seu lugar. Muitos não trabalham e recebem seu salário normalmente. Todos sabem quem responde pela Secretaria de Saúde, por exemplo. E isso serve para a maioria dos secretários.
E a "farra das secretarias" me mostra uma realidade: Essas secretarias servem como moeda de troca. Elas são dadas a quem apoia o prefeito ou a quem se submete aos seus desmandos ao longo de seu governo.
Não sabia que era legal mulher de vereador e pai de vice-prefeito assumirem funções desse tipo. E vejo também pelo sobrenome que o prefeito Alfredo Magalhães indicou alguns de seus parentes (fora os outros parentes que não tem Magalhães no nome). Se isso não for nepotismo, o que é então?
Já não bastasse o domínio que o prefeito exerce sobre a Câmara de Vereadores, ainda por cima possui o controle absoluto das secretarias, inclusive de suas prioridades de execução e de seus repasses financeiros. Preocupante, no mínimo.
Sítio do Mato está precisando de moralidade em sua gestão. Não podemos mais aceitar passivamente os desmandos desse prefeito e de sua corja política. Enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades para ganhar o pão de cada dia, uma elite sem vergonha está a enriquecer ilicitamente por meio do dinheiro público. Um tapa na cara da sociedade sitiomatense.
Prefeito e Secretários fantasmas, respeitem o povo!
domingo, 18 de janeiro de 2015
Um concurso público para lá de questionável!
Eu ando desconfiado, sabe. Desconfiado daqueles que governam com uma certa vocação para o engano voluntário da população que está sob seus cuidados. Acho até que essa mesma população, que nas palavras do prefeito é "pacata" (acho que sei o que ele quis dizer com esse adjetivo), deveria valorizar mais o ato de duvidar, de desconfiar, de questionar. Foi por causa da desconfiança em relação às intenções do prefeito e de sua equipe que resolvi fazer uma pequena pesquisa sobre o concurso público a realizar-se nesse domingo, 18/01/2015.
Aí você pode me questionar, qual concurso meu rapaz? E esse é um dos problemas. É um problema na medida em que um concurso de ampla concorrência é escondido com o esmero de quem esconde a carteira dos bandidos em uma noite perigosa. Não houve divilgação do certame, tanto é que para algumas áreas nem houve procura. Mas vamos começar do começo.
Segundo o edital que rege o concurso, as inscrições foram abertas no dia 01/12 e estenderam-se até o dia 15/12/2014. Estranho, não? Um período de inscrições tão ligeiro, tão apressado, tão atropelado. Isso me inquieta e me faz perguntar o motivo de levar um concurso desse porte adiante, com tantos cargos em jogo (são 37, segundo o edital principal), quando o período de inscrições não ultrapassou 15 dias. Para alguns cargos, como o de Pedreiro e até mesmo de Enfermeiro (Tataíra), não houve sequer um candidato para pleitear a vaga. Será que as pessoas não querem trabalhar? Não querem estabilidade, pelo menos por um período de tempo? Analisando o site da empresa organizadora do concurso, a Futura Assessoria Municipal Limitada, descobri que outros certames foram organizados nos mesmos moldes, onde o período de inscrições foi suprimido. Só para citar um exemplo, chamo a atenção dos leitores para o processo seletivo do município de Morpará, cujo período de inscrições durou do dia 27/08 à 29/08/2014. Dois dias somente! Percebi também que a empresa é relativamente nova no mercado, com poucos certames em seu currículo. Muito estranho tudo isso.
No caso de Sítio do Mato, as inscrições foram feitas presencialmente por meio do preenchimento de um pequeno questionário. Os candidatos receberam apenas um canhoto com poucas informações. Receberam o número da conta para efetuar o depósito e confirmar a inscrição. Outro fato preocupante, já que a ausência dos nomes e números de inscrição em um sistema (internet) pode acarretar fraudes futuras. Além disso, alguns cargos receberam exatamente o número de inscritos das vagas disponíveis, como os de Cirurgião Dentista (Gameleira) e os de Motorista. Será que não houve interesse de outros profissionais? Ou esses profissionais não tiveram a oportunidade de saber sobre o concurso? Pensemos sobre isso.
Há até uma conversa por aí de que esse concurso é de "cartas marcadas".
E para finalizar os elementos da desconfiança, gostaria de falar do salário oferecido para o cargo de Professor Fundamental: R$ 848,69. Não importa se esse professor é graduado ou formado em Magistério, é o mesmo salário. Engraçado é que para o Artífice (Pedreiro, Carpinteiro, Encanador e Soldador), alfabetizado apenas, se pagará R$ 1000,00. Acho que há uma discrepância aqui, tanto para os níveis do cargo de professor, quanto na comparação entre os salários dos professores e dos artífices, respeitando o valor social da profissão do artífice, é claro. A questão aqui é de mérito a quem estudou e continua a estudar, numa profissão que requer formação permanente. Esse quadro reforça em mim a ideia de que estudar não é importante, já que alguém cujo nível de escolarização está bem abaixo do meu receberá rendimentos mais altos. Só acho que há uma injustiça em relação aos salários ofertados. Daí a importância da luta dos professores por salários mais dignos. E o piso salarial dos professores, Alfredo?
Em minha opinião, esse concurso como está, caminha para uma fraude. Não é preciso ter poderes de clarividência para perceber isso. Todos os ingredientes estão postos à mesa do prefeito e de sua equipe. Por isso é importante que o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sítio do Mato (SINSPUB) acompanhe todo o processo e cobre da Câmara de Vereadores uma postura de fiscalização em relação ao certame. Deveria haver, também, uma investigação sobre a empresa prestadora do concurso, por motivos óbvios.
Que a população exercite sua desconfiança positiva e lance as perguntas adequadas. Que fique atenta e aprenda a denunciar as irregularidades, caso existam. Que seja firme na defesa de seus direitos.
Continuemos a caminhar...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Sobre a entrevista do prefeito à rádio Baiana FM
A entrevista do prefeito Alfredinho Magalhães à rádio Baiana FM, de Bom Jesus da Lapa, me mostrou uma coisa: Esse prefeito tem um dom especial em assuntos que envolvem mentiras, desculpas e blefes. Falou da festa de aniversário da cidade, falou do dinheiro supostamente bloqueado, deu chilique em relação a Coelba e finalizou com o problema do sinal da Oi. Levou a entrevista para onde quis, sem responder perguntas delicadas. E por falar nisso, que entrevista parcial e sem vergonha: Mas tinha como ser diferente? O entrevistador, esse tal de Kel Ribeiro, não era o mesmo que estava "animando" o palco do aniversário de Sítio do Mato? Presta um serviço para o Alfredinho e depois o entrevista... Bem cômodo para os dois.
O prefeito falou o que quis, deu suas desculpas e tirou a responsabilidade de seus ombros, deixando os funcionários que não receberam seus salários preocupados, pois nem o mérito da dívida ele assumiu. Engraçado que ele pagou uma nota preta para as bandas que se apresentaram no aniversário da cidade, entre elas a banda de seu sobrinho.
O prefeito, convenientemente se apequenou, dizendo que não pode fazer muita coisa. E mais uma vez deixou claro sua relação de "amizade" com a câmara municipal de vereadores. Disse que tem o apoio total da câmara. Preocupante, no mínimo. O prefeito fez da câmara seu quintal e dos vereadores seus compadres. Agora eu te pergunto, dá para esperar algo de bom dessa parceria? Onde está a fiscalização e a oposição dos vereadores em defesa da população?
Prefeito, se você quiser conceder uma entrevista de verdade, com imparcialidade e objetividade, chame os representantes da população que você governa e deixe-os perguntar e falar de seus dilemas enquanto munícipes. Se envolva de verdade com a população de Sítio do Mato e pare de fingir que se preocupa com nossos dilemas.
Chega de mentiras e desculpas! O povo merece respeito!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
A união das oposições como caminho de transformação para Sítio do Mato
"Mudar é difícil, mas é possível." (Paulo Freire)
Um contexto histórico de opressão e injustiças tem seus próprios mecanismos de proteção e perpetuação. O silêncio imposto, o medo dos poderosos, a pobreza profunda da população, a falta de serviços básicos e a corrupção, são mazelas que protegem o governo daqueles cujo único compromisso é o enriquecimento ilícito. Esse estado de coisas passa à população a falsa ideia de que "a realidade é essa mesma" e que a sociedade nunca será mudada.
Não sejamos ingênuos, mudar é difícil. Em alguns contextos é quase impossível devido aos estragos sociais provocados pelos corruptos e pela letargia da população. Apesar disso, a mudança é possível. É possível porque a história humana sempre foi possibilidade e nunca determinismo. Não existe essa de que é impossível mudar só porque as coisas sempre foram assim até aqui. Aquilo que nos oprime hoje foi construído ontem e pode perpetuar-se amanhã ou não. Depende muito de nossa luta enquanto povo unido.
Devemos entender também, enquanto povo que quer transformar uma realidade social injusta, que a própria mudança está condicionada as condições sócio-históricas que temos, ou seja, precisamos abrir mão da idealização de um "salvador da pátria" e valorizar as possibilidades políticas que temos hoje. Estou falando de valorizar os grupos de "esquerda", que se colocam como oposição ao grupo político que aí está. Necessário é que os grupos que representam "a nova política" afinem seus diálogos e busquem a unidade na diversidade de ideias e objetivos, respeitando o Objetivo Maior, devolver Sítio do Mato à sua população. O que não pode acontecer é rejeitar a mudança pelo orgulho partidarista. Mas é importante também entender que a união das oposições não pode representar o retorno da velha política, que tem em Dionízio um de seus representantes. A união das oposições é a prova mais cabal de que o povo de Sítio do Mato rejeita veementemente os dois polos de poder (Alfredinho e Dionízio) que são maléficos à cidade.
Mudar é difícil, mas é possível. E a primeira dificuldade que se coloca diante de nós, cidadãos sitiomatenses, é aprender a dialogar e a sincronizar os nossos desejos de liberdade. Precisamos caminhar nesse sentido caso desejemos transformar a realidade de opressão em que vivemos.
O opressor deseja dividir para conquistar. Nós precisamos da união dos filhos dessa terra para libertar uns aos outros do jugo do medo imposto.
E você, o que acha?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Um estágio em governança municipal para o prefeito de Sítio do Mato
O poder de governar é dado pelo povo, pelo menos em uma sociedade democrática. É o povo que escolhe e legitima seus governantes, em todas as esferas do poder. Por isso, um governo que não representa o povo e não se preocupa com suas necessidades de saúde, educação, trabalho e lazer, além de contraditório, trai a população que lhe confiou o voto.
Essa verdade sobre a governança me faz pensar em exemplos de prefeitos que exercem o poder em favor da população. E eu não preciso ir longe para analisar referências interessantes de governança municipal. Olhem o caso do prefeito Eures Ribeiro, de Bom Jesus da Lapa. Um político competente, em plena ascenção política, que em vez de acomodar-se, está revolucionando seu município positivamente. Está governando para o povo. Ele entendeu a razão de ser do poder que lhe foi outorgado.
Talvez o prefeito Alfredo Magalhães, que governa um município com tanto potencial, mas que é tragicamente pobre e mal cuidado, deveria deixar o seu "orgulho coronelesco" de lado e fazer um estágio com o prefeito Eures. Sim, um estágio. Um estágio para aprender a governar com o povo. Para aprender a pavimentar as ruas, para descentralizar os serviços pífios de lazer e para respeitar o professor. Que tal, Alfredo, pagar o teto salarial dos professores? Que tal ter secretarias de governo que funcionam de verdade? Que tal lutar pela união dos distritos municipais, tão alheios entre si? Infelizmente, dividir para conquistar é o seu lema.
Eures representa a nova política que está enterrando as oligarquias de Bom Jesus da Lapa. Os Magalhães, clã do qual o Alfredo faz parte, há muito deixou de dominar a "capital baiana da fé". Isso me fez pensar também nas razões que trouxeram o "galego" para tão longe de suas terras e negócios... Será que é o amor pelo povo de Sítio do Mato?
Alfredo, um conselho: Já que você mora em Bom Jesus da Lapa, passe no gabinete do prefeito Eures antes de vir para a prefeitura de Sítio do Mato. E pergunte a ele, com toda a humildade, o que é preciso ser feito para governar com competência. Garanto que se fizer isso você terá chance de se despedir de Sítio do Mato, em 2016, com um pouco mais de decência.
domingo, 11 de janeiro de 2015
Algumas perguntas sobre as secretarias municipais de governo
Estava pensando sobre a estrutura de governo do município de Sítio do Mato e me fiz algumas perguntas relacionadas às secretarias municipais: Quantas secretarias existem, pelo menos no papel? Quem são de fato os secretários de governo? Em quais endereços funcionam todas as secretarias? Todos os secretários possuem competência técnica e moral para exercer a função para qual foram escolhidos?
Acredito que a população faça as mesmas perguntas, pois não conhece seus secretários e nem sabe o que eles (se todos existirem) fazem. Muitas pessoas dizem até que "laranjas" ocupam alguns cargos. Reclamam que nas secretarias mais conhecidas, como as de Educação e Saúde, há troca constante de secretários e que a escolha dos mesmos é por critérios duvidosos. Dizem também que existem secretários que recebem sem trabalhar. E também que algumas secretarias só existem no papel. Essa semana, quando perguntei a uma servidora da Educação o nome da secretária ou secretário da pasta, ela me olhou com espanto, pois não sabia responder. E você que me lê, sabe quem são os secretários municipais? Sabe quantas secretarias existem? A importância das respostas tem relação com a demarcação de referências. Não há como cobrar os serviços de que a população precisa dos "fantasmas" e dos "laranjas". Por exemplo, você morador de uma rua que está sem pavimentação, que sofre com a lama em períodos de chuvas e com a poeira na seca. Que não possui serviços de esgoto, mas que mesmo assim paga por eles. Caso você queira cobrar do secretário responsável por essas obras, para qual endereço você e seus vizinhos irão se dirigir? A quem irão reportar sua indignação e a pauta de suas necessidades enquanto munícipes? Isso é muito sério. Você, cidadão sitiomatense, já pensou em quantos secretários estão recebendo salários sem trabalhar efetivamente? Acha isso justo? Eu creio que não. Que tal investigarmos para saber todas as respostas? Podemos começar ligando na prefeitura ou pedindo formalmente a apresentação da lista de secretarias com seus respectivos representantes. E se houver alguma irregularidade, e eu sei que há, podemos denunciar aos órgãos competentes. É direito e dever nosso.
A impressão que tenho é que Sítio do Mato está à deriva. E essa impressão tem a ver com a ausência de serviços típicos de uma cidade que funciona, que tem uma estrutura de governo dinâmica e comprometida com o bem estar de sua população. Nós, enquanto cidadãos, precisamos nos empoderar das informações referentes ao cotidiano político do município, caso queiramos ser construtores efetivamente de nossa história. Precisamos participar e fiscalizar. Sítio do Mato é de todos nós, homens e mulheres, e não propriedade de alguns que tem a falsa ideia de que o poder para governar é herança de família. O prefeito e seus secretários são funcionários do município e não escolhidos dos deuses para nos governar. Cobremos deles!
sábado, 10 de janeiro de 2015
A imposição do silêncio como arma de dominação
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão." Paulo Freire
O silêncio que exercito em mim pela liberdade é diferente do silêncio opressor, provocado por uma força externa, que na maioria das vezes nos violenta e nos impede de sentir, de dizer, de ser. Expressar a palavra é um ato desvelador, democrático e também terapêutico. Nos liberta do "vazio socializador" e nos coloca em contato com o mundo, com as pessoas. Por isso, não há como homens e mulheres se construírem no mundo sem a expressão da palavra, de sua opinião, da indignação frente ao que nos falta enquanto cidadãos.
É inadmissível que em pleno século 21 as pessoas sejam impedidas de manifestar sua opinião sobre os rumos do município de Sítio do Mato. A imposição do silêncio é uma marca da atual gestão, que tem "castigado" aqueles que expressam publicamente suas posições, muitas vezes contrárias aos desmandos do prefeito e de sua equipe. Muitas foram as vezes que funcionários foram transferidos para distritos distantes pelo simples fato de expressarem seus desejos e opiniões. Conheço pessoas que pediram exoneração por causa dessa situação e foram embora de sua cidade, provando uma espécie de exílio em busca de liberdade e oportunidades longe de sua terra. Os funcionários vivem com medo, mesmo discordando. As pessoas não querem viver no silêncio imposto, mas os mecanismos silenciadores são muitos, reforçados pelos "puxa sacos" de plantão.
Enquanto não houver a expressão da palavra, da opinião, da liberdade, continuaremos nas mãos da classe política opressora de nossa cidade. Juntos somos mais fortes. A união de palavras faladas pode transformar-se em um texto coletivo, um movimento de empoderamento da população, fazendo com que o medo mude de lado. E é exatamente isso que o prefeito teme, a união transformadora do povo que expressa sua indignação por meio dos sindicatos, dos grupos de estudo, dos núcleos comunitários de socialização (a porta da rua, a praça, entre outros), das igrejas, das escolas, dos partidos políticos...
E você, o que acha? Vamos exercitar a expressão da palavra? Vamos exercitar a nossa liberdade?
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
SOBRE OS "FALSOS PROFETAS DE BANDEIRANTES"
Hoje pela manhã, quase despertando, ouvi a seguinte afirmação vinda do "carro de som": "Em vez de criticar precisamos orar pela nossa cidade". Ali na minha cama fiquei pensando nessa fala e nos motivos de um discurso religioso como introdução ao período de festas. Então percebi que o prefeito, com fama de truculento, sofisticou seus mecanismos de dominação a nível ideológico. Mas é claro que ele iria apelar para a religião, para o texto bíblico, para o "deus" castigador dos revoltados que falam o que pensam. É claro que ele iria apelar para a oração em detrimento do descontentamento popular. A dominação ideológica é sutil, apela para a consciência, para o coração das pessoas. E se "deus" está no meio disso, pronto, todos se recolhem e se calam frente ao perigo do inferno.
O prefeito percebeu que os evangélicos estão descontentes, prova disso são as postagens dos últimos dias nas redes sociais. Como resolver esse problema? Criando um dia de festa para a população cristã da cidade. E isso foi às pressas, no improviso, marcas da gestão do prefeito. Ou você acredita que esse dia extra de festa se deve ao coração religioso e penitente do Alfredinho?
Gostaria de dizer, com tudo isso, que a verdadeira oração é aquela que pede a Deus força e coragem para continuar a luta em favor da justiça social, como disse o educador Paulo Freire. A verdadeira religião é aquela que une fé e obras em favor do necessitado, como bem nos lembrou o evangelista Tiago. O Deus verdadeiro é aquele que impõe justiça sobre os exploradores de seu povo. O que passar disso é balela e "conversa pra boi dormir".
A luta em favor de Sítio do Mato continua, para além dos "falsos profetas de bandeirantes" que existem nessa cidade.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
E você, já pegou seu "Kit Ilusão"?
Há 26 anos, Sítio do Mato - BA, transformava-se em município, emancipando-se de Bom Jesus da Lapa. Mas a tão sonhada independência transformou-se em decepção por causa dos rumos que o município tomou. Hoje, nossa querida cidade ainda é dependente dos serviços básicos que se encontram em outras cidades. Não há agências bancárias, não há autarquias, não há faculdades, não há serviços típicos de um município independente. Além disso, boa parte das ruas não possuem calçamento e esgoto e alguns prédios feitos com o dinheiro público foram abandonados e destruídos, como os dois postos de saúde. O município é carente, mal cuidado e explorado constantemente pelos políticos eleitos, de prefeitos a vereadores. A praça central da cidade está aos frangalhos, destruída, sendo suprimida pelas obras de um ginásio esportivo que está no lugar errado. Não foi respeitado o valor estético e histórico da Igreja Presbiteriana, da Escola Evangélica e das casas ao redor da praça. Não foi feita uma consulta à população sobre a construção do ginásio, que deveria ser feito em outro lugar, com o intuito de decentralizar os serviços de lazer, que são poucos, em um município que falta tudo.
Em nosso aniversário de emancipação política há pouca coisa a ser comemorada. Há muito a ser feito. Mas o "prefeito sem diploma" não pensa assim, tanto é que está a organizar uma festa de três dias na cidade, oferecendo "pão e circo", em lugar dos serviços mais urgentes que a população precisa. O povo de Sítio do Mato precisa de dignidade e respeito e não de um "Kit Ilusão", nome de uma das bandas que tem a missão de anestesiar a consciência crítica do povo. "'Kit Ilusão'? Sítio do mato precisa de um quite realidade, pois na ilusão vivemos há 26 anos", foi o que afirmou um trabalhador da cidade, indignado com a situação política de Sítio do Mato. E para falar a verdade, precisamos sim de um "quite realidade" mesmo, acompanhado de serviços de saúde, professores bem pagos, escolas decentes, interligação dos distritos municipais por estradas bem feitas (Sítio do Mato não é somente sua sede) e honestidade dos políticos que nos governam.
Prefeito Alfredo Magalhães, respeite o povo. Ninguém é bobo. As coisas estão mudando e seus dias como "dominador" e "perseguidor" estão contados. Seu dinheiro não compra a dignidade dos homens e mulheres dessa terra.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
O triste início do novo ministro da Educação
Por José Reinaldo Oliveira
Falou em uma avaliação para aferir o desempenho docente, mas pouco falou das condições de trabalho de um profissional pouco valorizado em uma sociedade que prefere as novelas em detrimento de uma escola pública e popular de qualidade. Tentou consertar sua fala de que professor deve ensinar por amor e não por dinheiro, propagandeando os esforços em relação ao piso salarial. Mas não consertou nada. Não consertou porque sua fala revela como enxerga o professor: alguém vocacionado. Vocação tem a ver com sacerdócio. Não vejo sacerdotes fazendo greve por aí, fechando vias, lutando pelos seus direitos. Querem avaliar o professor, antes de pagá-lo decentemente, antes de oferecer a ele as condições mínimas para ensinar, antes de ofertar um plano de formação continuada, antes de reparar as estrutras escolares que estão a cair por esse Brasil. Os vocacionados não devem enriquecer no serviço público, foi o que afirmou o ministro. Só esqueceram de avisar a ele que a classe política desse país, da qual ele faz parte, que atua no serviço público, é "podre de rica" e recebe vencimentos imorais, se comparados à muitas categorias do funcionalismo público. Desculpem, mas não dá para falar que a educação é prioridade quando o dinheiro que deveria ser investido, de forma séria, na educação pública, e isso implica salários dignos aos professores, está indo para outros lugares. Um deputado recebe mais de 20 mil reais. Um professor, dependendo da região do país, recebe um salário mínimo ou menos.
Cid falou em números, em universalização da oferta de ensino, mas nada falou sobre os mecanismos que devem ser utilizados para diminuir a evasão escolar, que no fundo é uma "expulsão" velada do estudante pobre, cuja cultura é desrespeitada pelos sistemas de ensino, como denunciou Paulo Freire. O ministro fez questão de se colocar como um "ajudante" da Dilma, sem autonomia para propor ou decidir. Sem ousadia e autonomia não dá para ser ministro da Educação em um país cheio de contradições sociais.
Agora fiquei curioso, quanto deve receber o ministro da Educação? Penso que deve ser algumas poucas moedas, já que o funcionário público, vocacionado, não tem interesse em enriquecer.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Por que a luz foi embora?
José
Reinaldo Oliveira
Ontem,
dia 31 de dezembro de 2014, enquanto eu, familiares e alguns amigos esperávamos
a aproximação do ano novo na porta de
casa, aqui em Sítio do Mato – uma cidadezinha acolhedora do oeste baiano –,
fomos surpreendidos pela suspensão dos serviços de distribuição de energia
elétrica. Ficamos ali achando graça da escuridão, admirando a luz da lua sobre
a pracinha da Rua Sete de Setembro e conversando se a luz voltaria a tempo de desfrutarmos da ceia e da festinha que
haveria em um clube da cidade. Mas a luz
não voltou, a escuridão persistiu e a lua continuou a ser a lâmpada sobre o
jantar divertido entre pessoas que se gostam. A celebração aconteceu independente
da energia elétrica. Mas enquanto conversávamos a pergunta recorrente era a
seguinte: Por que a luz foi
embora? Não havia nuvens carregadas no céu, nenhum indício de chuva, nem
sequer um vento mais forte que pudesse danificar fios ou postes. E esse questionamento
me fez refletir sobre outras perguntas que são específicas ao contexto de Sítio
do Mato, perguntas históricas que se repetem no cotidiano das pessoas que vivem
sua dinâmica social.
Por
que a energia sempre vai embora? Por
que as pessoas dizem que Sítio do Mato parou
no tempo? Por que há um constante pessimismo em relação ao desenvolvimento
social do município? Por que, desde sua emancipação política, a cidade sempre
foi governada por dois polos de poder que perpetuam a incompetência e a falta de
ética em sua gestão? Por que os políticos eleitos pelo povo enriquecem
visivelmente num curto espaço de tempo? Essas são algumas das muitas perguntas
que permeiam o imaginário coletivo da população, fazem parte das conversas de boteco, dos papos entre amigos e das
discussões acaloradas entre familiares que são passionais em relação à disputa
político-partidária na cidade. Eu percebi que as respostas para essas muitas
perguntas são insuficientes e, às vezes, mal elaboradas. Na verdade, as pessoas
questionam, reclamam, mas não fazem um exercício mais sério em relação à
reflexão das causas fundamentais de nossos problemas sociais. Talvez o motivo,
ou um dos muitos motivos, seja o fato de boa parte da população atribuir uma “explicação
mágica”, ingênua, ao atraso social, à falta de serviços de saúde, à falta de
quase tudo que a dignidade humana exige para existir.
Já
ouvi muitos dizerem que “as coisas são assim mesmo”, que “Sítio do Mato não tem
jeito”, que “daqui há vinte, trinta anos, o município vai continuar como está,
ou até pior”. As pessoas dizem isso com facilidade. Meus amigos dizem isso
constantemente. Meus familiares também. E eles dizem essas coisas não porque
desejam que as coisas não melhorem para a cidade onde vivem. Eles dizem essas
coisas porque lhes falta esperança, lhes falta a fé na mudança de situação. As
pessoas estão cansadas de testemunharem a reprodução das injustiças, da
sem-vergonhice, da roubalheira por parte de seus líderes políticos. A
desesperança, que é o contrário da esperança, é o caminho mais fácil para
aqueles que só vêem as coisas piorarem. Preferem não esperar nada de bom do
amanhã, para que a mudança, caso aconteça, pegue a todos de surpresa e lhes
traga uma alegria inesperada. Como se a mudança dependesse da sorte ou do acaso
para acontecer.
A
“explicação mágica”, a que culpa as forças da natureza, o destino e até mesmo
Deus, é a válvula de escape que boa parte da população de Sítio do Mato usa
para viver longe do confronto com seus líderes políticos. É mais fácil dizer
que a energia foi-se embora por causa
da chuva, ou por causa dos raios. É bem mais simples falar que “as coisas são
assim mesmo”, diante da riqueza ilícita dos vereadores e do prefeito, que
afrontam a pobreza da maioria da população. É bem menos oneroso dizer que o
município vai continuar parado no tempo
independente do que aconteça. Mas arriscado é dizer que há responsáveis
concretos pelo roubo dos cofres públicos, pela destruição da praça central da
cidade e pela falta de tudo em um município que se acostumou a viver sob a
chibata daqueles que usam seu dinheiro e sua influência para saquear e oprimir.
A
classe política de Sítio do Mato conseguiu um feito histórico:
institucionalizar a desonestidade, a falta de ética, os esquemas escusos e as
alianças perversas entre a prefeitura e a câmara de vereadores. Não há
fiscalização dos atos do executivo, das decisões do prefeito por parte dos
vereadores. O prefeito Alfredo Magalhães conseguiu amansar o ímpeto do seu
legislativo, pelo menos da maioria de que precisa para ter aprovado seus
projetos, utilizando-se de “acordos”, que em sua maioria envolve o pagamento de
generosas quantias de dinheiro. Não há segredos sobre isso, todos sabem, é
conversa de porta de rua.
O
último “esquema” que todos sabem diz respeito à reeleição do presidente da
câmara de vereadores, o senhor Agenor. Não tenho nada contra a pessoa desse
senhor, mas acho inconcebível elevar a condição de presidente da câmara municipal
de vereadores alguém que mal sabe escrever o próprio nome. A questão aqui é
técnica e ideológica, pois não há a competência mínima para o exercício de uma
função que requer, além da leitura e da escrita, a firmeza honesta de quem quer
bem o povo que lhe elegeu. O fato de se deixar manipular pelo prefeito Alfredo
Magalhães faz do Agenor cúmplice de seus atos duvidosos. Ele, o Agenor, trai a
comunidade que lhe elegeu e trai a sua trajetória como sertanejo trabalhador.
Ter pouca instrução não é demérito para ninguém, principalmente num contexto
social injusto que caracteriza o sertão da Bahia. Demérito, vergonha, absurdo,
é o fato de se deixar usar pelo opressor de seu povo. O opressor saqueia as
finanças do munícipio com a aprovação do presidente da câmara, um fantoche que
está a sorrir diante das mazelas sociais que entristecem os sitiomatenses.
A
câmara municipal tornou-se uma extensão da prefeitura, algo inconcebível para
uma democracia sadia e respeitável. O senhor Alfredo “reina” absoluto, sem
oposição, sem fiscalização, sem denúncias e também sem seu “diploma de prefeito”,
retirado dele pela justiça há pouco tempo. Há alguma dúvida de que suas contas
serão aprovadas sem questionamentos pela maioria dos vereadores em um futuro
próximo? Ou que alguma de suas propostas não será acatada por aqueles que
deveriam ser sua oposição? Percebo que o Alfredo Magalhães, desde muito jovem,
nunca enfrentou oposição de ninguém, pois sempre possuiu os mecanismos de
dominação sobre as pessoas, de funcionários seus aos eleitores carentes.
Dominar os vereadores, ou pela menos a maioria de que precisa, é apenas a
continuação de sua história de violência sobre a vontade do Outro. Mas no caso
dos nobres vereadores, há uma parcela de interesse pelo dinheiro e pelas
benesses que o prefeito lhes concede. Há uma “boa vontade” em vender Sítio do
Mato, não importa se é no plenário da câmara ou em algum canto escondido por aí.
Além
da institucionalização da sem-vergonhice, a classe política que nos governa é
responsável também pela institucionalização da desesperança do povo. Aquela
mesma da qual falei a poucos parágrafos atrás. Não ter esperança por um tempo,
ou, ficar tentado pela desesperança em algum momento difícil da vida é algo
absolutamente normal e aceitável. Mas os vereadores e o prefeito conseguiram a
proeza de fazer com que a falta de esperança de dias melhores sobre a nossa
cidade se transformasse num imperativo de vida da população. Exemplo disso é o
pessimismo presente nas conversas das pessoas simples, a falta de identificação
da população em relação aos seus governantes, a tristeza no semblante pela
refeição que sempre falta na mesa daquele cujo voto foi comprado no período de
eleições. O próprio esvaziamento da câmara municipal de vereadores, por parte
do povo, é a prova de que participar da vida politica do município deixou de
ser algo importante. A desesperança faz esse tipo de coisa com a gente, nos
tira o interesse de saber das decisões políticas que afetam a vida de todos
nós. Nos tira também o desejo de luta pelo bem comum. Na verdade, o bem comum é
pouco lembrado quando a urgência da fome, da doença e da ignorância abate o
ânimo e a fé do povo.
A
luta política é uma das vias para que o povo compreenda que a falta de
oportunidades, a falta do alimento, a falta dos serviços de saúde e de educação
tem a ver com as decisões políticas tomadas por vereadores que estão a vender a
dignidade da população que representam. Essa falta de dignidade nos serviços
prestados às pessoas também tem a ver com a incompetência e a desonestidade de
um prefeito que transformou Sítio do Mato na extensão de seu quintal, ou,
melhor dizendo, na extensão de uma de suas muitas fazendas. Talvez daí venha a
sua insistência em tratar as pessoas como gado ferrado e manso.
Todas
essas coisas que digo, as digo na esperança de que os ânimos e a consciência
crítica de quem lê essas poucas palavras sejam inflamados. É preciso que as
pessoas entendam que a desesperança, o pessimismo e o estado de passividade são
armas que os poderosos usam para adestrar o povo, fazendo-o imaginar que as
circunstâncias não serão transformadas. O desrespeito à coisa pública, o roubo
descarado do dinheiro do contribuinte, a compra de votos, os acordos escusos e
a degradação da classe política foram instituídos por políticos que não possuem
compromisso com as necessidades mais urgentes do município. Todavia, é
necessário compreender que esse estado de coisas não é definitivo. Não é
possível que as pessoas de bem dessa terra se satisfaçam com a violência e a
anulação de seus direitos. A mudança deve ser encarada como um imperativo de
luta por parte de cada cidadão sitiomatense, dos pescadores da Rua de Cima aos
professores das comunidades rurais, das donas de casa aos lavradores da terra,
dos jovens sonhadores aos senhores e senhoras de sabedoria profunda. Por isso,
a mudança implica luta, organização por parte dos cidadãos, briga diária com a
classe política para que os mesmos ajam com integridade, pelo menos pela
imposição do constrangimento.
O
povo precisa fazer com que os políticos sintam vergonha de suas práticas
ilícitas, apontando-lhes o dedo, dizendo-lhes na cara que sabem de suas
falcatruas, exigindo deles uma postura condizente com a função para a qual
foram eleitos. As pessoas precisam ir à câmara em dia de votação, precisam
levar até os vereadores suas propostas, precisam falar o que pensam sobre os
rumos que a cidade está tomando. O cidadão sitiomatense precisa aprender a
denunciar a safadeza dos vereadores e de seu prefeito, não só reclamando, mas
recorrendo aos órgãos de controle, como o Ministério Público. Precisam parar de votar em gente estragada
moralmente, que usa os cargos políticos como plataforma de enriquecimento.
Precisam parar de vender os seus votos. Precisam eleger pessoas honestas,
fichas-limpas, comprometidas com o desenvolvimento social do município. Sítio do Mato precisa de gente competente,
tanto técnica quanto moralmente, para exercer não somente as funções de
prefeito, vereador e secretários municipais, mas também cargos que são vitais
para o desenvolvimento integral de nossa comunidade, como o de professor,
enfermeiro, agricultor etc. E esses profissionais precisam organizar-se em
sindicatos com força política, para pressionar os que estão a governar com
tranquilidade acomodada e irresponsável.
As
coisas são assim porque um conjunto de pessoas fez com que elas fossem assim. O
estado atual de nosso município é o resultado da incompetência e da
desonestidade dos políticos que nos governaram e nos governam. Também há a
parcela de responsabilidade do povo, que vem admirando os coronéis e abastados
há anos, desenvolvendo uma “fascinação pelo opressor” de sua gente, optando sempre
pela “lógica da Hilux” em detrimento
das boas propostas políticas dos filhos dessa terra. Apesar dessa constatação,
é possível afirmar que as coisas podem mudar, que essa situação de safadeza
administrativa que aí está pode ser superada com a luta organizada e consciente
do povo. É nesse quadro de superação da roubalheira em que acredito. Acredito
no povo de Sítio do Mato. Acredito na sua assunção crítica. Acredito na
superação dos “Alfredinhos” e “Dionízios” e de seus legados perniciosos.
Na
noite da virada, mesmo no escuro, percebi que é preciso pensar sobre as
questões que nos sufocam enquanto cidadãos sitiomatenses. Percebi que é preciso
reformular as perguntas e procurar de forma séria as respostas para elas.
Depois da meia noite, adentrando a madrugada, as luzes se acenderam e houve
gritos de alegria pela possibilidade da festinha em comemoração ao ano novo que
se iniciava. A luz voltou, não por
mágica, mas porque o problema na rede foi resolvido pelos técnicos. Isso me fez
pensar na quantidade de problemas que devem ser solucionados no nosso
município, não por mágica, mas pela luta concreta de homens e mulheres que
querem bem a terra de sua infância.
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