segunda-feira, 4 de maio de 2015

A sociedade da subserviência: uma reflexão sobre a nossa condição de dependência social

"A sociedade cujo centro de decisão não se encontra em seu ser, mas no ser de outra, se comporta em relação a esta como um 'ser para outro'". (FREIRE, 2014, p. 73 - Educação e Mudança)

Passei a infância, a adolescência e parte de minha juventude ouvindo de meus conterrâneos, amigos e familiares, que Sítio do Mato sempre foi dependente de Bom Jesus da Lapa, mesmo depois de tornar-se município. A verdade é que nossa emancipação política se deu somente no papel, uma realização legal, mas longe de trazer a autonomia e os serviços básicos de um município independente à sua população. Nossa "cidade" nunca existiu para si mesma, pois sempre esteve a serviço de outros interesses, contrários, é claro, aos do seu próprio povo. A população depende de outras cidades, em todos os serviços possíveis: de saúde à educação. Depende também da "generosidade" de sua classe política, que desde a gênese municipal agrada-se de ter os desvalidos sob seus pés, numa espiral de favores que nunca serão pagos. O "centro das decisões" está em posse de uma minoria corrupta e cruel, representada por dois polos de poder, que há pouco mais de duas décadas revezam no governo do município. De um lado, a face paternalista e incompetente, e do outro, o lado truculento e que aprendeu a usar a "máquina" para lucrar "legalmente". É claro que estou falando de Dionízio (e seus agregados) e de Alfredinho. Ambos os lados representam a política antiga, o perfil do coronel, do senhor de escravos, que estende uma das mãos em sinal de "generosidade", enquanto a outra está pronta para usar o seu chicote por qualquer motivo que lhe desagrade. Sítio do Mato não pode mais existir sob a insígnia da subserviência, da dependência e da exploração de seus recursos, econômicos, humanos e naturais. A decisão dos rumos administrativos do município está nas mãos do povo (eu e você), não somente em relação ao voto, mas, também, na participação coletiva, na marcação de nossa posição enquanto sujeitos da transformação social. Chega de balançar a cabeça em sinal de concordância enquanto os que se dizem "donos do mundo" estão a falar suas mentiras. É hora de rebelar-se, de dizer o que pensamos, de demonstrar amor por nossa terra com o voto consciente e com a fiscalização dos atos de nossos representantes políticos. É chegado o momento de sermos e existirmos para nós mesmos, enquanto povo sitiomatense, recusando a terceirização de nossa capacidade de sonhar e de mudar o mundo, o nosso mundo!

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