Por José Reinaldo Oliveira
Falou em uma avaliação para aferir o desempenho docente, mas pouco falou das condições de trabalho de um profissional pouco valorizado em uma sociedade que prefere as novelas em detrimento de uma escola pública e popular de qualidade. Tentou consertar sua fala de que professor deve ensinar por amor e não por dinheiro, propagandeando os esforços em relação ao piso salarial. Mas não consertou nada. Não consertou porque sua fala revela como enxerga o professor: alguém vocacionado. Vocação tem a ver com sacerdócio. Não vejo sacerdotes fazendo greve por aí, fechando vias, lutando pelos seus direitos. Querem avaliar o professor, antes de pagá-lo decentemente, antes de oferecer a ele as condições mínimas para ensinar, antes de ofertar um plano de formação continuada, antes de reparar as estrutras escolares que estão a cair por esse Brasil. Os vocacionados não devem enriquecer no serviço público, foi o que afirmou o ministro. Só esqueceram de avisar a ele que a classe política desse país, da qual ele faz parte, que atua no serviço público, é "podre de rica" e recebe vencimentos imorais, se comparados à muitas categorias do funcionalismo público. Desculpem, mas não dá para falar que a educação é prioridade quando o dinheiro que deveria ser investido, de forma séria, na educação pública, e isso implica salários dignos aos professores, está indo para outros lugares. Um deputado recebe mais de 20 mil reais. Um professor, dependendo da região do país, recebe um salário mínimo ou menos.
Cid falou em números, em universalização da oferta de ensino, mas nada falou sobre os mecanismos que devem ser utilizados para diminuir a evasão escolar, que no fundo é uma "expulsão" velada do estudante pobre, cuja cultura é desrespeitada pelos sistemas de ensino, como denunciou Paulo Freire. O ministro fez questão de se colocar como um "ajudante" da Dilma, sem autonomia para propor ou decidir. Sem ousadia e autonomia não dá para ser ministro da Educação em um país cheio de contradições sociais.
Agora fiquei curioso, quanto deve receber o ministro da Educação? Penso que deve ser algumas poucas moedas, já que o funcionário público, vocacionado, não tem interesse em enriquecer.

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